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NFTs, Blockchain e Metaverso: o futuro da Publicidade

Afinal, o jogo Second Life previu o metaverso? Qual o sentido de pagar por uma NFT, se um print já é de graça? Por que tantas marcas estão investindo nisso?

De acordo com o portal Olhar Digital, estima-se que em 2021 houve o crescimento em 417% do volume de negociações de criptomoedas em relação ao ano anterior, mostrando como elas revolucionaram o mercado financeiro. Além disso, é bastante discutido sobre a capacidade das NFTs garantirem a exclusividade e autenticidade de conteúdos digitais, bem como é surpreendente o crescimento do mercado em 11.000% neste mesmo ano, como mostra a Rockcontent. E não para por aí! Criou-se grande expectativa sobre o metaverso, tecnologia popularizada a partir do notável investimento e influência da Meta, antiga Facebook.

Todo este mercado em expansão tem contribuído para o aumento da demanda por artistas que produzem conteúdos de qualidade, como ilustração, animação e modelagem de personagem em 3D – porém com a rapidez do mercado da bolsa de valores. Assim, produtoras de animação que antes produziam filmes padronizados para as marcas, agora diversificam suas demandas circulando neste ambiente virtual.

Contudo, a relação entre as tecnologias e arte é um tanto quanto nebulosa. Fizemos uma longa pesquisa para entendermos cada um desses termos, como se relacionam e sua importância para o futuro da publicidade. Vem com a gente!

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Metaverso: a nova internet

O metaverso é um termo usado para determinar um ambiente virtual imersivo, construído a partir de realidade virtual e aumentada. Nele, os avatares 3D representam as pessoas em um mundo virtual, em que é possível trabalhar, se divertir e se conectar com outras pessoas. É basicamente um ‘The Sims’ online, no qual o seu trabalho é de verdade, um home office mais interessante.

 

O termo ‘metaverso’ inicialmente foi descrito por Neal Stephenson em seu romance inspirado pela cultura Cyberpunk, Snow Crash (1992). Neste contexto, as pessoas faziam uso de avatares virtuais para explorar um universo online de forma muito parecida com a pretendida pela tecnologia na vida real. Neste sentido, o Second Life, que teve seu auge em meados dos anos 2000, é uma experiência que se aproxima em alguma medida deste cenário. A partir dele, os usuários criam um avatar virtual e têm a liberdade de explorar o mundo, encontrar e interagir com outros usuários, criar seu próprio conteúdo digital e até mesmo comercializar bens e serviços a partir da moeda ‘Linden Dollar’.

Contudo, o maior desafio que o metaverso precisa enfrentar hoje é a tecnologia, por causa da limitação de insumos materiais e intelectuais para permitir um ambiente hiper realista e conectado. Além disso, há também a dificuldade em popularizar os equipamentos de realidade virtual (os óculos VR), que são bastante caros e se apresentam como o principal meio de alcançar todo seu potencial.

O game Fortnite também é conhecido hoje como parte do proto-metaverso, um conjunto de aplicativos que trazem elementos do conceito criado por Stephenson. A Epic Games (desenvolvedora do fenômeno) surpreendeu a todos ao expandi-lo para além do Battle Royale, trazendo experiências sociais dentro de seu ambiente virtual. A partir disso, foi capaz de trazer elementos de uma rede social para a experiência do usuário, em que é possível conversar, interagir e participar de shows virtuais. Isso mesmo: Travis Scott, Ariana Grande e até mesmo Emicida já se apresentaram virtualmente na plataforma.

Como o metaverso se relaciona com as marcas?
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Neste ano a Meta participou do Cannes Lions International Festival of Creativity, apresentando um gostinho do metaverso que eles pretendem construir com o app Horizon Worlds. Em parceria com a BMW Group e Fender Musical Instruments Corporation foram criados o MINIVerse’ e ‘Fender Stratorverse’, que são apps que fazem parte das campanhas de publicidade dessas marcas, respectivamente.

O MINIVerse reimagina a experiência de pilotar um Kart ao colocar quatro motoristas em um MINI com o objetivo de correr por uma pista customizável. Já a campanha da Fender se apresenta como uma experiência de áudio colaborativa em que pode-se criar uma música original. Os visitantes exploram uma ilha com forma de guitarra que flutua sobre a estratosfera em busca de acordes espalhados por todo o mapa. Por fim, eles têm a capacidade de unir estas recompensas e criar combinações musicais únicas.

Em entrevista com a Meta, o diretor de marketing da hamburgueria Wendy’s comenta sobre a experiência de seu primeiro Horizon World, o Wendyverse. Neste ambiente virtual que segue a identidade visual da empresa, diversos usuários podem interagir de diferentes formas: podem se encontrar com os amigos para uma “refeição” em um restaurante virtual da Wendy’s, além de jogar vários minigames que envolvem as comidas oferecidas pelo restaurante, como hambúrgueres, shakes e batatas fritas.

Ainda durante essa conversa, o diretor trouxe dicas relevantes para marcas que desejam ingressar no metaverso:

  • Preparar o seu público a partir da construção de uma comunidade online é extremamente relevante. É a partir destas comunidades que serão definidas quais tipos de interação poderão vir a ser intensificadas e exploradas na realidade virtual, de forma que é garantida consistência entre as campanhas de publicidade.

  • Equilibrar os objetivos da marca e os interesses do consumidor é um desafio que merece destaque. Uma vez que cada ponto de contato deve atender este último em primeiro lugar, apenas colocar um logotipo em elementos do ambiente virtual não será suficiente. Desta forma, trazer oportunidades imersivas e interativas devem ser pontos chave para o sucesso dessa experiência no metaverso.

  • E por último, mas não menos importante: confie nos produtores de conteúdo! Não deixando de lado a visão da marca, os criadores são capazes de inovar e construir uma experiência verdadeiramente autêntica e imersiva. Assim, é possível alcançar um mundo que fortalece o engajamento dos visitantes.
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Estes são alguns exemplos de uso dessa tecnologia que já alcançamos. Neste sentido, adicionar mais uma camada de interatividade com seus consumidores tem se mostrado como um bom caminho para as marcas. Hoje, a vida online tem cada vez mais tomado conta da vida das pessoas, e por consequência, tem feito as empresas se apropriarem deste meio para se aproximar de seu público. 


O NFT, por exemplo, é outra tecnologia que muitos já utilizam com frequência como parte de suas campanhas e produtos. Mas antes de tocarmos neste assunto, o que é NFT mesmo?

NFTs

A sigla que define token não fungível se refere a ativos criptografados criados a partir da tecnologia blockchain. Neste sentido, o NFT se manifesta como um código que garante a identidade e autenticidade de um arquivo digital.


Há vários cases relacionados a NFTs que despertam curiosidade, como a coleção chamada Bored Ape Yatch Club. Ela compõe uma série de desenhos de “macacos entediados” produzidos a partir de um algoritmo que combina aleatoriamente 170 características, tornando cada peça única. Ela ficou famosa aqui no Brasil quando o jogador de futebol Neymar Jr. comprou duas NFTs da coleção por cerca de 6 milhões de reais, seguindo a onda de outros milionários famosos.

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Há também a possibilidade de fazer uso destes ativos digitais para fazer parte de diversas estratégias de marketing e receitas adicionais, seja por meio da disponibilização de conteúdos exclusivos ou complemento de ofertas tradicionais, como diversas marcas já vêm fazendo.

Um exemplo deste tipo de oferta vem da Nike, que vende pares de seu tênis e peças do vestuário na versão digital, além de oferecer uma versão física do produto. Já a franquia NFL se apropriou da tecnologia para transformar ingressos do evento Super Bowl em NFTs colecionáveis. Além destes tipos de uso da tecnologia, a NBA e a NBA Players Association surpreenderam a todos quando formou uma parceria com a Dapper Labs lá em 2019: eles criaram o NBA Top Shot, uma plataforma digital para os fãs de basquete colecionarem, trocarem e até mesmo transformarem momentos da liga em NFTs. 

A Adidas, por sua vez, lançou a campanha “Recurso Adidas para Prada” em colaboração com o artista Zach Lieberman. Este é um projeto de arte interativa em que os fãs da marca contribuíram com fotografias anônimas, formando 3.000 obras que foram cunhadas como NFTs e em seguida compiladas em uma única NFT de patchwork em massa para leilão. Uma parcela de 15% da venda final foi dividida entre os fãs que contribuíram, sendo 80% doados para a Slow Factory, uma organização sem fins lucrativos, e os 5% restantes para o artista digital que ajudará na curadoria do projeto.

A partir do que foi mostrado até aqui, torna-se notável como a internet evolui e nos aproxima cada vez mais do ambiente virtual. A intenção é que NFTs e criptomoedas sejam parte das transações financeiras feitas dentro do metaverso.

Mas é importante se manter informado e ser cauteloso quanto a possíveis fraudes que envolvem criptoativos. Perfis falsos de artistas se passando pelo original podem existir e vender artes que não são autênticas de fato, bem como tem se tornado cada vez mais diversificadas as abordagens de hackers que conseguem acesso a carteira digital de vítimas, como através de links falsos divulgados em abordagens diretas de venda ou divulgação das artes nas redes sociais.

Por mais que a natureza do criptoativo se prove como seguro, diversas abordagens criminosas se apropriam da vulnerabilidade dos usuários para fazerem golpes. Apesar deste fato, é verdade que a rede blockchain garante a transação de NFTs com uma segurança poderosíssima.

Blockchain

A blockchain é um sistema que funciona como um livro-razão, ou seja, armazena informações sobre ativos de negócios, o valor atual de seus atributos e o histórico de transações que resultaram no valor atual. Deste modo, o que o torna tão diferente de outros livro-razões é sua capacidade de ser compartilhado e se manter imutável. Assim, o sistema se manifesta como frações de códigos gerados online que carregam informações que se ligam como correntes.

Um ativo pode ser algo tangível, como um objeto que se materializa fisicamente na vida real, ou intangível, como propriedade intelectual e direitos autorais. Por conseguir registrar e compartilhar estes tipos de ativos, a blockchain hoje se posiciona como uma rede forte para validar documentos, transações financeiras, comercialização de conteúdos audiovisuais e muito mais. Isso não te lembra um pouco sobre o que foi dito na seção de NFTs? Pois é, a NFT é uma tecnologia que tem origem na blockchain.

E quanto a segurança envolvida no processo?

A blockchain faz parte de uma rede descentralizada e possui diversas camadas de segurança. Além disso, por exigir validação de todos os membros da rede e serem imutáveis (são registrados permanentemente), nem mesmo o administrador de sistema pode invalidar uma transação. Desta forma, a rede se manifesta como um ambiente extremamente seguro para seus usuários.

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Conclusão

Tem se tornado cada vez mais relevante conhecer sobre essas tecnologias por se relacionarem fortemente com o avanço da internet, que se desenvolve de acordo com a forma que seus usuários interagem.

Além disso, é válido destacar o esforço das marcas em se aproximar do público consumidor através destes tipos de conteúdo. Um fato curioso que pode se relacionar de alguma forma é a personificação das assistentes virtuais através de avatares 3D. Será que em algum momento será possível interagir diretamente com essas personagens em um mesmo ambiente virtual?

A questão é que muita novidade nos espera e o futuro hiper tecnológico da literatura tem se mostrado como parte de uma realidade cada vez mais próxima da nossa.